O que está por trás de cada chapéu?
Mesmo dentro de uma pequena multidão, aparentemente unida pela mesma cena, existe sempre uma infinidade de mundos internos. Cada pessoa observa, pensa, sonha, aspira e guarda dentro de si um universo pessoal, invisível para os outros.
Nunca somos apenas parte da multidão. Somos presenças distintas, identidades separadas, pensamentos em movimento. Mesmo quando percorremos o mesmo caminho, cada um viaja com o seu olhar, a sua memória, o seu desejo.
Nesta pintura, os chapéus tornam-se o símbolo desta diversidade. Suas cores falam de diferentes personagens, emoções e personalidades: algumas parecem mais ensolaradas, outras mais elegantes, outras mais criativas, outras mais excêntricas. Cada cocar parece falar em vez do rosto, sugerindo algo íntimo e irrepetível.
Por trás de cada chapéu há uma história. A escolha da cor, o formato, a forma de usá-lo tornam-se pequenas pistas de identidade. A figura humana, embora quase anónima, revela-se precisamente através daquilo que escolhe mostrar.
A força do trabalho vem desta grande variedade: muitas individualidades próximas, diferentes e ainda assim parte de um mesmo todo. Como numa verdadeira multidão, ninguém é verdadeiramente igual ao outro, e esta mesma diferença torna a raça humana mais rica, mais complexa, mais viva.
Cada pessoa traz consigo um pequeno pedaço do mundo. E todos esses mundos, colocados um ao lado do outro, compõem um universo colorido, imperfeito e maravilhosamente humano.
Óleo sobre tela – 50 x 60 cm